22 julho 2007

Ousar

Ninguém é feliz caminhando somente por vias já trilhadas.

Ninguém é feliz pousando seus pés exclusivamente sobre marcas de outras passadas.

É preciso ousar, é necessário inventar caminhos. Assumir os riscos do que é novo. Construir paisagens. Construir seu próprio lugar no mundo.

Esta é a glória de se enfrentar e vencer obstáculos. O prêmio do destino novo. A alegria da antevisão da chegada. O júbilo da possibilidade de construir.

Não há erro em se destruir o velho, o obsoleto, mesmo que seguro, para construir o novo, um pouco mais distante da perfeição.

Construir, planejar, imaginar e sonhar. Estes são os fazeres, as ferramentas da vida. O produto deste trabalho é a escada da vida, que leva e eleva à perfeição espiritual.

A alegria da vida não está no cômodo, na aprovação do imobilismo, na submissão às regras. Muito pelo contrário, esta é a representação da anulação, da mera sobrevivência.

Que prazer maior pode haver em se enfrentar as nossas crises quando se tem na mente e no coração a busca da felicidade e equilíbrio.

O medo faz parte da vida, o medo interior que gera forças, dá cautela, mas não imobiliza. Já o medo formulado, exterior, nada mais é do que a nulidade da escuridão e morte.

Dificuldade é sinônimo de desafio estimulante para quem tem a determinação de um sentimento puro. Obstáculo é apenas lembrete para reforçar alicerces...

13 setembro 2006

Reminiscências...

Ser criança é o grande achado, o grande caminho. Nos abrimos mais, trocamos a desconfiança pela curiosidade, o julgar pelo sentir e a cobiça pelo gostar. E maior achado ainda, é ser criança e adulto, pelas experiências de vida que nos indicam quando é hora e local e quando há sintonia para isso. Até por isso, muitas vezes somos sós, ou temos poucos amigos, ou até muitos, mas poucos classificados como verdadeiros...

Nos reeprendemos e nos reprimimos quando nos enxergamos, ou fracos, ou egoístas, ou enraivecidos, ou deprimidos, porque nem sempre aceitamos ou compreendemos essa realidade: estamos VIVOS e essas sensações também são vitais, também são energias, base de conhecimento para serem comparadas, absorvidas e recicladas. É um aprendizado difícil e doloroso, nos faz alternar loucura e lucidez. Mas com certeza, concluído esse curso, para alguma coisa servirá o diploma...

Viver nesse contexto atual, só conseguem, os que pela sua neurose particular, encaixam-se na grande neura que eles próprio ajudam a manter. Por isso é que devemos procurar sempre, ou quase sempre, colocar-nos como observadores na essência, mesmo que tenhamos de partcipar ativamente da coisa toda. Seria algo assim como uma esquizofreniz programada. Comparando... seria como optar por ser um ator canastão, representar com alguma técnica, mas com superficialidade, sem colocar a alma na interpretação do papel. Os canastrões também fazem sucesso!!!
Se tentarmos no preparar de outra forma, faremos parte do rebanho. E lá no rebanho, acaba ficando como Nietzsch descreve em "Assim falou Zaratustra" - "um só rebanho, um só pastor. E quem sentir-se diferente, vai voluntariamente para o asilo". Já estaríamos internados, certo?

Mais do que entendermos qual a causa de tudo ser assim, deles serem assim, é compreendermos quais são os melhores caminhos, qual é o nosso melhor destino escolhido. É a opção de cada decisão a tomar que indica o novo caminho, que traz novas alternativas e novos caminhos. Muitas vezes temos de decidir sem muita chance de antever os resultados e nem sempre podemos voltar atrás e refazer tudo. É um jogo de altíssimo risco!...

Quando só almejamos grandes coisas, as frustrações e depressões também são enormes. Quando passamos a entender que tudo se inicia pelas pequenas coisas, começamos lentamente a preencher partes desse vazio. Isso leva toda uma vida. Tem um bocado de vazio para ser ocupado, sem esquecer que temos de deixar um pouquinho como está para não esquecemos do jeito que é...

Existe muito para se achar nesse universo que é nosso interior. A primeira chave, que abre a primeira grande porta, encontramos quando nos descobrimos capazes, com poder para nos amarmos. Aí começamos a gostar dos outros de forma diferente... O grande lançe é questionar, não ter certeza, exceto do que é certo. Mas o que é certo e o que é certeza?

Antes de racionalizarmos o que somos e como podemos ser, precisamos permitir-nos sentir o que somos e do que somos capazes. Somente através do sentir nos conhecemos - podemos depois até verbalizar, esquematizar de forma racional. Mas só vale se for sentido antes, o amor e o tesão pela vida e por toda a capacidade que possuímos de ser humanos e deuses por extensão.

19 junho 2006


Permissão ao amor

Às vezes, quando chegamos à entrada de um novo caminho desconhecido, paramos a olhar tentando enxergar o que há na frente, para onde esse caminho nos leva. Mas os portais destes caminhos não nos dizem nada, são iguais em sua aparência, exceto em suas indicações técnicas.
Por exemplo: - caminho para uma nova vida -
permite a companhia de ..., é diferente de outros caminhos já trilhados, etc. Não nos dá indicações mais precisas tipo: nova vida – padrão ótimo, felicidade garantida, tempo de duração eterno; quanto a companhia permitida, não diz: grau de satisfação excelente, nível de convivência sem atritos e sem rotinas; quanto aos caminhos já trilhados, também não diz ser esse o melhor de todos que você já conheceu.
Então por isso paramos indecisos, desnorteados, em dúvida quanto ao preço do ingresso que, afinal, é caro. Para adquirirmos condições de comprá-lo, temos de nos desfazer de alguns bens já adquiridos, tanto materiais quanto abstratos tais como: estabilidade, sossego, independência, individualidade e ausência de sobressaltos. Sendo assim, não seria natural que sequer duvidássemos, sequer parássemos em sua frente nos indagando? Fugiríamos imediatamente para o caminho já conhecido e já de nossa propriedade, não é mesmo? Então? Por que paramos, tentando adivinhar as condições desse caminho? Apenas e simplesmente pela motivação de uma de suas indicações
- Permite a companhia de... É essa permissão que nos dá um impulso maior ou menor de entrarmos por essa trilha. Somente a necessidade de partilhar da companhia de alguém a quem amamos nos dá a motivação para enfrentar os mistérios de uma nova existência.
Conclusão: se há o querer, não deveria haver mais dúvidas, bastaria arrumar as malas, entregar a passagem e embarcar. Por que ainda assim paramos?... Pelo preço, somente por ele. Pelas dúvidas quanto aos sentimentos agregados que transmitimos e recebemos: incompreensão, posse, submissão, egocentrismo, raivas gratuitas, mágoas... enfim todas as sensações que aprendemos no transcorrer de nossa vida e todos os condicionamentos movidos pela insegurança e pseudo preservação.
Na verdade, por maior que seja o amor sentido, esses sentimentos adquiridos de nosso exterior estarão latentes e poderão ser transmitidos mutuamente e gerarão culpas. Hoje sabemos que o peso de tudo que nos foi imposto desde a infância ainda nos perturba e não sabemos com certeza se já conseguimos transformar isso em vibração positiva. Não temos a certeza se o sentir é realmente tão mais forte do que isso. O que fazer?... Esquecer! Não as dúvidas, mas a importância superdimensionada que damos a elas. E amar. Permitir-se ao amor. Permitir a emoção sem a preocupação de tentar adivinhar o futuro e o traçado do caminho novo. Ousar e transgredir, aceitando a felicidade de gostar, sem medo de sofrer um dia.
Vale a pena permitir o sentir.
Basta sentir!

05 junho 2006

A cidade de quem amo


Caminhei por uma cidade.
Igual, de cheiros iguais
De cidade de gente igual
(são iguais as pessoas, as feias e as bonitas).

Andei longas ruas, quebrei esquinas,
Escalei e rolei ladeiras.
Me perdi e me assustei.
Ouvi todos os sons iguais.
Vi os cantos, entrei nos cafés
E senti o gosto de cidade igual.


Caminhei sozinho igual sempre
E não me vi e nem me senti só.
E não vi cidade igual.
Nenhuma cidade me faz sentir
Tão doce o caminhar, o aspirar
E o ouvir sons.

Nenhuma cidade é igual à cidade
De quem me emociona.
Tua cidade, o teu universo distraído.
E distraído me envolvo e me emociono.
E não tenho medo por ter invadido.
Nem tenho medo por me ver invadido
Por emoção que pode ser só minha.
A emoção de te amar diferente,
Sendo diferente amar igual.
Sendo doce o esperar
E o ver chegar.


Sendo tão doce ver o olhar fugir.
E procurar palavras que soem
Dizendo que é tudo natural.
Natural o canto e o aconchego.
Natural e bom o afagar e tocar.
Natural olhar e sonhar.
Me declaro pleno de emoção, amiga.
Te amo tudo e mais.
Te amo e simplesmente nada quero,
É bastante você existir
E me fazer sentir vivo
E me fazer sentir um pouco de tua vida.
Te amo simplesmente e tudo quero.
E tudo é somente você saber
Que eu te amo.
E que é natural amar
Sem precisar troca.
Sem anseio, apenas aceitação.


Este é apenas um momento do sempre.
De um lugar igual
Que se faz diferente.
De um sonhador igual
Dentro de um sonho
Com jeito de ser real.
Com uma amiga amada
Caminhando tão presente
Que quase pode ser tocada.

19/06/1996

10 janeiro 2006


SONS E RITMOS
SENSUAIS,
TANGENCIAM
ESPÍRITOS OUVINTES.

ONDAS SONORAS
EM UM BAILAR,
ORA SALTITANTE, ORA SINUOSO,
ENVOLVEM E OCUPAM
AURAS E POROS.

INVADEM,
POSSUEM E SE INTEGRAM.
E FAZEM DOS SERES
A PRÓPRIA MÚSICA
E SUA DANÇA.

OS SONS GERAM
LUZES SUAVES
E OS RAIOS DESTAS,
SURGEM DO CÉU.

E ENCONTRAM
O BRILHO DOS ENTES,
QUE SÃO OS SONS
EM MOVIMENTOS DE PRAZER.

SE ENTRELAÇAM
E SE INTERPENETRAM,
E COMPLETAM, EM SEU GOZO,
O UNIVERSO.